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Toxina botulínica amplia tratamento da enxaqueca crônica

Toxina botulínica amplia tratamento da enxaqueca crônica

Por Redação

17/08/2026 às 18:30

Imagem de Toxina botulínica amplia tratamento da enxaqueca crônica

Foto: Foto: Dr. Ricardo Alvin: Valter Andrade


Conhecida principalmente pelo uso estético, a toxina botulínica tipo A também é utilizada no tratamento preventivo da enxaqueca crônica, doença neurológica que pode comprometer o trabalho, a convivência familiar e a qualidade de vida. O problema atinge aproximadamente 15% da população mundial e ocorre com maior frequência entre as mulheres, segundo a Organização Mundial da Saúde (OMS). No Brasil, estudos utilizados pela Agência Nacional de Saúde Suplementar (ANS) estimam prevalência de 15,8%.

“A enxaqueca é uma doença neurológica, e não apenas uma dor de cabeça mais intensa. Além da dor, as crises normalmente vem acompanhada de náuseas, vômitos, sensibilidade à luz e aos sons, alterações visuais e grande limitação para as atividades cotidianas”, explica o neurologista Ricardo Alvim, coordenador da Equipe de Neurologia do Hospital Mater Dei Salvador.

De acordo com a Classificação Internacional das Cefaleias, a enxaqueca é considerada crônica quando o paciente apresenta dor de cabeça em 15 ou mais dias por mês, durante mais de três meses, sendo pelo menos oito deles com características de migrânea. “Nos casos crônicos, o paciente pode passar metade do mês ou até mais convivendo com dor e outros sintomas. Isso repercute na produtividade, nas relações familiares, na vida social e na saúde emocional”, ressalta Alvim.

Aplicações seguem protocolo - A toxina botulínica não interrompe uma crise que já começou. Seu objetivo é reduzir a frequência, a intensidade e o impacto dos episódios. A substância interfere na liberação de neurotransmissores envolvidos na transmissão da dor, diminuindo a sensibilização das terminações nervosas.

“A aplicação para enxaqueca segue um protocolo médico específico, com doses e pontos definidos na cabeça e no pescoço. Não se trata de um procedimento estético e a dose utilizada em cada ponto é menor. O objetivo é atuar nos mecanismos da dor e diminuir o número de dias em que o paciente sofre com as crises”, esclarece o neurologista. 

As aplicações são realizadas, geralmente, a cada 12 semanas. Algumas pessoas percebem melhora após o primeiro ciclo, enquanto outras precisam de mais aplicações para que o resultado seja avaliado.

Estudos demonstram benefícios - Os principais estudos sobre o tratamento, conhecidos como PREEMPT 1 e PREEMPT 2, reuniram 1.384 adultos com enxaqueca crônica. Na análise conjunta, os pacientes tratados com toxina botulínica apresentaram redução média de 8,4 dias de dor de cabeça a cada quatro semanas, ante 6,6 dias no grupo que recebeu placebo.

“É importante alinhar as expectativas. A toxina botulínica não cura a enxaqueca nem necessariamente elimina todas as crises. O benefício pode aparecer na redução dos dias de dor, na menor intensidade dos episódios e na diminuição da necessidade de medicamentos para alívio imediato”, pontua Alvim.

Em julho de 2026, a Comissão Nacional de Incorporação de Tecnologias no Sistema Único de Saúde (Conitec) analisou o uso da toxina botulínica A em adultos com enxaqueca crônica que não responderam, não toleraram ou apresentam contraindicação a pelo menos três medicamentos preventivos. O relatório preliminar concluiu que a terapia provavelmente reduz os dias mensais de dor de cabeça e de enxaqueca.

Indicação exige avaliação - A indicação deve considerar a frequência das crises, as doenças associadas, os tratamentos já utilizados e os possíveis efeitos adversos, como dor no local da aplicação, desconforto cervical, fraqueza muscular temporária e queda da pálpebra.

“Quando corretamente indicada e aplicada por profissional capacitado, a toxina botulínica apresenta um perfil de segurança conhecido. O tratamento deve ser personalizado e realizado por um médico. Quem apresenta crises frequentes ou prejuízo das atividades cotidianas deve procurar avaliação neurológica e evitar a automedicação. Reforçamos que o tratamento não farmacológico é vital para o controle das crises de enxaqueca, como atividade física, controle do estresse, alimentação, entre outros”, conclui Ricardo Alvim.

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